Qualidade da safra e desvalorização do plantio preocupa agricultores em Mauriti


(Foto: Normando Sóracles/ Agência Miséria)


A safra este ano não está boa e o pequeno produtor do Cariri praticamente paga para trabalhar. É o que diz Edmilson José dos Santos, 64, agricultor que mora no Sítio Lagoa Funda, zona rural de Mauriti.

Como ele, existem dezenas de homens e mulheres da lavoura que, apesar das previsões de uma boa colheita, veem os valores do produto plantado em baixa, e se dizem desanimados com a produção de feijão, milho e leite, por exemplo. 

Custando R$ 50,00 uma saca de feijão de aproximadamente 60 kg, o pequeno agricultor investe pelo menos o dobro para produzir. "O adubo custa 50 reais, para pagar alguém que possa fazer a colheita é mais 50, e tem gente que não colhe uma saca inteira em um dia", pontua Edmilson. 

Governo

No início do ano, o governo do estado iniciou a distribuição de 3.030 toneladas em sementes do Hora de Plantar e Garantia Safra. Os programas incluíram também 6,5 milhões de palma forrageira, 400 mil mudas de cajueiro, 170 mil mudas de essências florestais e 5 mil m³ de maniva. 

Em Milagres, por exemplo, a distribuição de milho, feijão e forrageiro atendeu cerca de 1.400 agricultores familiares. Agricultores de Barro, Aurora e Campos Sales também receberam sementes.  

Apesar da distribuição do material propício ao plantio, a colheita em pequenas lavouras dos sítios no Cariri tendem a ser pequenas. A semente do milho cedido pelo estado no início do ano, por exemplo, nasce com qualidade duvidosa, segundo Edmilson. Ele conta que o produto nasceu bonito, mas após 15 dias começou um processo de amarelamento e não espera aproveitar toda a safra. "Isso é prejuízo, lamenta". 

Leite

José Amâncio do Nascimento, 59, trabalha em outra comunidade na zona rural mauritiense. Ele é um pequeno produtor de leite e diz que a produção também não vem sendo rentável. "Produzir leite é bom para os que têm dinheiro", ele contesta. 

De acordo com o produtor, o litro de leite custa em média R$ 1,20 para venda aos laticínios - ou chamados atravessadores, que fazem a ponte entre quem produz e as cooperativas de distribuição. O preço final, na cidade, pode variar entre R$ 2,50 e R$ 4,00, mas o lucro, neste ponto, não contempla mais o homem do campo.  

Êxodo

Como solução à baixa perspectiva na lavoura, algumas pessoas no Sítio Lagoa Funda viajam para São Paulo em busca de emprego no corte de cana e colheita de laranja. O êxodo é feito em determinada época do ano e principalmente pelo mais jovens, pontua um agricultor local.




Por Felipe Azevedo/ Agência Miséria
Miséria.com.br

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