Reveja a última entrevista de Léo assassinado ontem em Crato: "Não consigo deixar o vício do crack"


Léo no dia de sua última entrevista em Juazeiro protegido do sol causticante por um enorme chapéu (Foto: Arquivo Miséria)


O usuário de crack Léo Ronald Pinheiro Prado, de 35 anos, não conseguiu driblar o vício das substâncias entorpecentes e foi vencido pela morte, uma das condições que permeia o violento mundo das drogas. O corpo dele foi encontrado com marcas de esganadura às 06h30min de ontem no Baixio do Tibúrcio no Sítio Santa Rosa na zona rural de Crato, mas residia na Rua João Aires de Aquino (Bairro Vila Alta) daquele município.

Entretanto, por algum tempo esteve "internado" na cracolandia de Juazeiro quando trabalhou como limpador de para brisas e flanelinha, a fim de sustentar o seu vício egoísta mesmo tendo duas filhas em Crato para dar o sustento responsável por parte de quem as colocou no mundo. A primeira e última entrevista que concedeu foi ao Site Miséria exatamente onze meses antes de ser assassinado (Veja abaixo). Léo estava limpando para brisas nos semáforos em frente ao Cariri Garden Shopping.

Ao repórter Normando Sóracles, ele traçou um perfil de quem se entrega ao mundo das drogas, pois era usuário e respondia procedimentos por furtos em Crato e Juazeiro. “Estou há cinco anos nesse negócio... tento sair, mas não consigo. Falta atitude da gente mesmo”, disse Léo reconhecendo que sobravam conselhos, principalmente dos familiares que sonhavam em vê-lo bem longe daquela situação.

Apesar da condição da família, o seu leito era alguns panos velhos ao relento como condição de vida que escolheu conforme o próprio reconheceu na entrevista. Aparentemente, dinheiro não lhe faltava já que ganhava R$ 100,00 diários, em média, na limpeza de para brisas. Todavia, só dava para comprar crack num gasto médio mensal de R$ 3 mil. É que o alimento procedia das mãos de pessoas generosas e membros de grupos católicos. Veja a entrevista feita pelo repórter Normando Sóracles que não consegue esconder sua tristeza.

Por Demontier Tenório
Miséria.com.br

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