Empresários do setor imobiliário culpam momento político por estagnação das vendas em Juazeiro do Norte

Empresários do setor conversaram com o Miséria sobre momento em Juazeiro (Foto: André Costa)

"As pessoas em Juazeiro não compram mais para investir, só adquire imóvel quem realmente tem condições financeiras, e quase sempre é para morar, não revender". A frase é de Fagner Canuto, corretor de imóveis há 18 anos. 

Assim como outros empresários do ramo no município, ele traça um panorama do momento atual no setor imobiliário na cidade. Há uma estagnação há pelo menos cinco anos, e isso é consenso entre os grandes nomes do ramo. Apesar de preocupante, alguns afirmam que o jogo está virando. 

Manoel Salviano, dono de diversos prédios, terrenos e um empresário bem sucedido na região, culpa a instabilidade política para a retração dos investimentos no Crajubar. Com mais de 130 salas comerciais ociosas, ele diz que a falta de consolides e de representatividade política intimida os investimentos e as pessoas têm medo de comprar. 

Financiamento

Em abril, a Caixa Econômica Federal, que teve redução de 4% da carteira de crédito em 2017 e não fazia cortes desde novembro de 2016, anunciou  redução de 1,25 ponto percentual na taxa de juros de financiamentos que usam recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O limite para operações de imóveis usados subiu de 50% para 70%.

“Como diminuiu a taxa de juros, o valor da prestação cai. O que favorece uma camada maior da população, que passa a ter acesso ao financiamento”, explicou o  gerente regional de construção civil da Caixa em Fortaleza, Josivan Josino, à repórter Irna Cavalcante. 

Esperança 

A realidade, no entanto, era diferente em 2014, por exemplo. Há quatro anos Juazeiro do Norte vivia seu melhor momento fora da curva que despencava o mercado imobiliário no Brasil. Foi neste período que incorporadoras lançaram o maior número de empreendimentos na cidade, gerando especulação.

No ano seguinte, no entanto, as negociações passaram a acontecer "em conta gota", diz Fagner. A demanda excessiva impactou na estagnação das vendas e muitas incorporadoras entraram no período de "stand by". 

A melhora passou a ser sentida no ano passado, tratativas do governo como congelamento da taxa de juros fizeram com que os distratos parassem de acontecer, dando continuidade nos negócios em imóveis. Incorporadoras prepara para, a partir do segundo semestre, voltar a lançar.




Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Miséria.com.br

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