Bolsonaro: homem não deve intervir em decisão da mulher sobre aborto


Candidato à Presidência, no entanto, é contra a legalização do procedimento (Foto: Reprodução/ Notícias ao Minuto)

Abortar ou não é uma decisão que cabe à mulher. Uma opinião que, à primeira vista, seria associada a um candidato com digitais progressistas. Ela pertence, contudo, ao presidenciável  mais combatido por esse segmento, Jair Bolsonaro (PSL).

O candidato afirmou à Folha de S.Paulo na semana passada, por telefone, que "não compete ao outro lado", o do homem, dizer se a mulher deve ou não interromper uma gravidez.

"Vamos supor que eu tenho um relacionamento contigo. Você quer o aborto." Afirma, então, que caberia à repórter definir o que fazer nesse caso.  

Ele havia sido questionado sobre uma entrevista que deu à revista "IstoÉ Gente" em 2000. A repórter perguntou o que ele achava da legalização do aborto. Para Bolsonaro, "tem de ser uma decisão do casal".

Foi questionado, então, se "já viveu tal situação". "Já. Passei para a companheira. E a decisão dela foi manter. Está ali", disse, apontando para uma foto do quarto filho, Jair Renan, com um ano e meio.

Bolsonaro afirma, 18 anos depois, que "não tinha qualquer ascendência sobre" Ana Cristina Valle, com quem se relacionava à época. "Quando [Renan] nasceu, fiz um exame de DNA e assumi a criança."

Embora diga que a mulher tem o poder da decisão, diz que, como parlamentar, votaria contra legalizar o aborto - e, se eleito chefe do Executivo, exerceria seu poder presidencial e vetaria uma lei pró-aborto eventualmente aprovada pelo Congresso. "Mas se o Congresso derrubar o veto, aí eu não posso fazer nada", completa.

Em janeiro, o canal oficial do presidenciável no YouTube postou uma entrevista em que ele enfatiza essa posição - cara entre seu eleitorado, de tendência conservadora. "Se depender do meu voto, a legalização do aborto não será dada nesse sentido", afirma.

Já na TV Tambaú, afiliada do SBT em João Pessoa (PB), reforçou a compreensão de que "o corpo da mulher pertence a ela". Com uma ressalva dessa vez: "Aquela vida que tem dentro do seu útero, depois que acontece a ligação, o ovo se fixa na parede do útero, não pertence mais a ela. Ela pode até morrer numa clínica clandestina, mas está matando alguém que  gerou num momento de prazer. Isso tem que ser respeitado. Qual mulher, hoje em dia, não conhece ´n´ formas de contraceptivos para não engravidar?". 

Em seguida defendeu a ampliação de laqueadura e vasectomia como medidas para controle da natalidade, uma bandeira sua.

A Folha de S.Paulo questiona Bolsonaro se as mulheres que abortarem devem ser presas, como prevê a legislação brasileira. "Nunca vi ninguém preso. Desconheço alguém preso. Sou contra aborto e ponto final", responde.

A reportagem insiste: mas essa mulher deve ser detida, em sua opinião? Bolsonaro diz, então, que essa decisão "compete ao Poder Judiciário".

Ana Cristina, segunda ex-esposa do candidato (que hoje está em seu terceiro casamento), foi procurada por telefone e recados. Ela, que pretende disputar a Câmara dos Deputados pelo Podemos-RJ, não respondeu à reportagem.

Pesquisa Datafolha publicada no fim de 2017 revelou que a maior parcela dos brasileiros é favorável à criminalização do aborto. A tendência, contudo, é de queda: em dezembro de 2016, 64% dos entrevistados diziam que a mulher que interrompe uma gravidez deve ser processada e ir para a cadeia. Um ano depois, a taxa caiu para 57%. 

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