Coreia do Norte continua desenvolvendo programa nuclear, diz ONU


Relatório da ONU conclui que Coreia do Norte não parou programa nuclear (Foto: Reprodução)


A Coreia do Norte continua desenvolvendo programas nucleares e de mísseis apesar do compromisso assumido, em junho, com os Estados Unidos. A conclusão está em um relatório confidencial das Nações Unidas que foi revelado neste sábado (4) pela imprensa americana.

O estudo mostra ainda que os norte-coreanos estão violando as sanções econômicas internacionais impostas ao país.

O documento de 62 páginas foi elaborado por analistas independentes que apresentam seus resultados a cada seis meses ao Comitê de sanções à Coreia do Norte do Conselho de Segurança da ONU.

Para a CNN, o relatório da ONU parece confirmar as notícias publicadas pelo jornal "The Washington Post" há poucos dias, que sugeriam que o Serviço de Inteligência dos EUA tinha encontrado novas informações, incluindo imagens de satélite, que mostravam que a Coreia do Norte poderia estar em processo de construção de novos mísseis.

O relatório da ONU vem a público no momento em que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, está em Singapura para uma reunião ministerial da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Nesse fórum, ele o afirmou que defende que se mantenha a pressão diplomática e econômica sobre Pyongyang enquanto o país não der passos concretos para desmantelar seu programa nuclear - compromisso firmado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, durante encontro com o presidente americano, Donald Trump. “Estou otimista em nosso sucesso, mas todos sabemos que vai levar tempo", observou.

Armas

Os observadores constataram violações às proibições das exportações norte-coreanas de carvão, ferro, mariscos e outros produtos, que geram milhões de dólares em receitas ao regime de Kim Jong-un.

O documento aponta ainda que a Coreia do Norte recorreu a um "aumento maciço" de transferências ilegais de produtos petrolíferos no mar para driblar as sanções da ONU e contratou um agente sírio para vender armas ao Iêmen e à Líbia.

O texto menciona o traficante de armas sírio Hussein Al-Ali que ofereceu uma gama de armas convencionais e, em alguns casos, mísseis balísticos produzidos na Coreia do Norte a grupos armados.

A transferência de produtos petrolíferos a tanques norte-coreanos continua sendo "um método primário de evasão de sanções" que envolve 40 navios e 130 empresas associadas, descreve a ONU.

Estas violações fizeram com que a última bateria de sanções à península coreana se tornasse "ineficaz", afirma o documento.

Compromisso com fim das armas nucleares

Em 2017, o mundo acompanhou um aumento da tensão sem precedentes entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, que foi marcada por lançamentos de mísseis e um teste nuclear pelo regime de Pyongyang. Em retaliação, foram impostas sanções internacionais cada vez mais rigorosas contra o país.

Desde o ínicio de 2018, Kim Jong-un sinalizou uma abertura para o diálogo com a vizinha, Coreia do Sul, e rapidamente houve uma tentativa de reaproximação com os Estados Unidos.

Em junho, a Coreia do Norte se comprometeu em desmontar o seu programa nuclear durante o encontro inédito de seu líder, Kim Jong-un, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Singapura.

Ao retornar a Washington depois do encontro, Trump chegou a postar no Twitter uma mensagem na qual dizia que “não existe mais uma ameaça nuclear da Coreia do Norte”.

Os dois países se comprometeram a "deixar o passado para trás" e afirmaram que "o mundo verá uma grande mudança". Porém, o documento final não estabelecia metas ou detalhes de como o abandono da produção de armas seria feito de forma completa, irreversível e verificável, como pedem os Estados Unidos.

A entrega dos restos mortais que seriam de soldados americanos vítimas da Guerra na Coreia (1950-1953) é vista como concreto firmado pelas duas partes até agora.

A transferência nesta semana das caixas com restos mortais, que ainda passarão por um processo de identificação, foi vista como um gesto de boa vontade de Kim. Trump agradeceu e disse que espera revê-lo em breve.

Fonte: G1
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