Menina de 12 anos sofre queimaduras em 49% do corpo no `desafio do fogo´


Menina de 12 anos ficou com queimaduras graves (Foto: Reprodução/Facebook)


O "desafio do fogo" começou a circular nas redes sociais há pelo menos quatro anos. Apesar dos alertas de perigo, os vídeos continuam a despertar a curiosidade de adolescentes, que colocam suas vidas em risco ao participarem. Foi assim que uma menina de 12 anos terminou com queimaduras de segundo e terceiro graus em 49% de seu corpo na última sexta-feira. A estudante foi levada para um hospital em Detroit, no estado de Michigan, nos Estados Unidos, onde deve passar ainda por três cirurgias, no mínimo. Ela vai ficar internada durante meses.

O desafio do fogo, conhecido na web por seu nome em inglês "Fire Challenge", consiste em espalhar líquidos inflamáveis pelo corpo e incendiá-lo, enquanto uma câmera filma a cena para depois compartilhá-la nas redes.

A psicóloga e especialista em jogos perigosos na internet Juliana Guilheri explicou ao GLOBO que desafios como esse que a americana participou reforçam que os pais acompanhem o conteúdo que seus filhos estão acessando na web. E que isso não significa desconfiar deles.

— Faz parte do jovem querer firmar sua autonomia, querer mostrar que está se tornando um adulto, mas cabe aos pais pegarem na sua mão e mostrar que estão juntos ali para acompanhá-lo nessa caminhada. É importante haver um controle parental, mas também uma relação de confiança. O jovem pode participar dos desafios por uma questão de autoestima, quando ele faz um desafio para ele mesmo, para vencer a si próprio. Mas também pode ser por pressão dos amigos ou por curiosidade. Os adolescentes relativizam muito o perigo real desse tipo de desafio, então é importante haver diálogo com os pais.

A mãe da vítima, Brandi Owens, alertou outros pais para que fiquem atentos ao que seus filhos estão assistindo na internet.

"Minha filha recentemente pegou fogo devido ao desafio no YouTube. Por favor, conversem com seus filhos sobre o que eles veem nas redes sociais", disse Brandi em um site de financiamento coletivo, em que pede contribuições para arcar com as despesas médicas da filha. "Nos mantenha em suas orações", acrescentou.

Guilheri apresentou algumas recomendações aos pais, como olhar o histórico do filho na internet, para acompanhar o que ele está fazendo, dialogar com ele sobre os riscos que pode correr se imitar algumas das atitudes publicadas nas redes sociais, e pedir que o filho avise quando alguém lhe propor algo inapropriado. A pscióloga ressaltou que agir assim não significa desconfiança, mas uma forma de estar presente na vida do adolescente.

— A melhor forma (de evitar uma consequência trágica) é o diálogo entre os pais e as crianças para que eles possam mostrar para seus filhos que há essas atividades perigosas, que não são brincadeiras. É preciso que o adolescente conte se algum vizinho ou amigo propor fazer qualquer tipo de tentativa que possa colocar sua vida em risco, como esse desafio do fogo ou aqueles desafios de asfixia. É preciso alertar um adulto. Isso é importante para evitar que aconteça um tipo de acidente dramático como esse — disse a pesquisadora e professora da Universidade Paris Nanterre, na França.

De acordo com a mãe da menina, a participação dela no desafio do fogo deixou a família toda chocada e muito abalada. Para ela, é necessário que vídeos desse tipo sejam excluídos.

"As crianças muitas vezes não percebem que a vida é um dom precioso e que elas não podem imitar as coisas que veem na internet. Eu espero que nenhuma outra família passe por isso. Como mãe, você sempre quer proteger seu filho e nunca querer que ele sinta dor", afirmou Brandi.

Segundo Guilheri, os desafios perigosos nas redes sociais não estão apenas envolvidos com o diálogo entre pais e filhos, pois eles também estão relacionados com as políticas públicas e precisam delas para serem mitigados.

— Esses desafios perigosos na internet envolvem uma questão bem complexa que depende da legislação de cada país. Eu moro na França e aqui qualquer vídeo que incite os jovens a colocarem suas vidas em risco é proibido por lei de ir ao ar. É preciso ter um controle do que está circulando na internet — afirmou.

À emissora local "Fox 2 Detroit", Brandi contou que viu a filha correndo pelo corredor "pegando fogo dos joelhos até o cabelo". Em seu perfil do Facebook, publicou uma foto da menina na cama do hospital enfaixada da cabeça aos pés e em tratamento intensivo.

No dia do trágico desafio, a pré-adolescente estava com duas amigas em sua casa. A mãe tinha cozinhado panquecas e depois foi tirar um cochilo enquanto as meninas brincavam. Brandi disse à emissora "TMJ4", afiliada da "NBC", ter sido acordada pelo som de uma pequena explosão e logo viu sua filha em chamas. Após o socorro, as amigas contaram que estavam tentando imitar o desafio do fogo que viram no YouTube.

"(Minha filha) tem outros seis irmãos e eles querem que sua irmã melhore e volte para casa", afirmou Brandi. "Nós todos estamos tentando aguentar e ser fortes por ela".

Fonte: Extra

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