Candidatos paraquedistas invadem a região do Cariri


Odorico Monteiro, candidato a deputado federal, é acusado de prometer motos a agentes de saúde de Missão Velha (Foto: Reprodução/Jornal do Cariri)


A região do Cariri sempre foi atrativa para candidatos de outras regiões que aparecem em busca de votos e depois somem, sem priorizar as demandas locais. A denúncia é feita por candidatos da região que reclamam da “invasão eleitoral”, que leva os votos e tira a possibilidade do Cariri eleger representantes locais.

Abuso de poder econômico, através de compra de lideranças e votos, já foram alvo de denúncias nestas eleições. O vice-prefeito de Juazeiro do Norte, Giovanni Sampaio (PPS), e o suplente de deputado estadual Manoel Santana (PT), chegaram a apontar valores entre R$ 100 mil e R$ 200 mil para a “compra” de lideranças de Juazeiro, como vereadores e suplentes.

Entre as lideranças mais influentes, a denúncia é maior. Prefeitos, ex-prefeitos e candidatos estariam bancando a entrada de candidatos investigados por corrupção e até por suposto envolvimento e proteção ao crime organizado.

Candidato à reeleição, o deputado federal Antônio Balhmann (PDT) está presente em pelo menos dois municípios do Cariri. Balhmann é investigado por envolvimento em esquema de corrupção que rendeu mais de R$ 20 milhões em propinas direcionadas aos irmãos Cid e Ciro Gomes em 2014. Mesmo delatado pelos irmãos Batista, proprietários da JBS, Balhmann mantém alianças importantes nos municípios de Brejo Santo e Jati, liderados pelo candidato a deputado estadual Guilherme Landim (PDT).

Outro candidato que busca votos no Cariri é o empresário e candidato a deputado federal Totonho Lopes (PDT), conhecido como Totonho Sheik. Cunhado de um Sheik Árabe, Totonho é acusado de comandar um esquema de contratos fraudulentos na coleta de lixo em vários municípios do Ceará. Chefe da chamada Máfia do Lixo, Totonho tem uma das campanhas mais caras do Estado e entrou no Cariri através do candidato a deputado estadual do Crato, Dr. Leitão Moura (PPS), sogro do ex-governador Cid Gomes. A negociação para o apoio teria ultrapassado a cifra dos milhões.

A candidata a deputada federal Rachel Marques (PT), esposa do prefeito afastado de Quixadá, Ilário Marques (PT), é acusada de fazer parte de uma rede de proteção ao crime organizado que atua na região Central do Estado. Rachel tem o apoio do prefeito de Aurora, Júnior Macedo (PP).

Odorico Monteiro (Pros) e Nicolle Barbosa (PSC), também aspirantes a vagas na Câmara Federal, são alvos de denúncias por parte da Procuradoria Regional Eleitoral, por abuso de poder econômico. Nicole é acusada de distribuir vales combustíveis em Juazeiro para promover carreata. O deputado federal Odorico Monteiro é acusado de prometer cinco mil casas, caso seja reeleito. No início deste mês, em Missão Velha, Odorico assegurou que viabilizará motos para agentes de saúde do Município. O procurador eleitoral do Ceará, Anastácio Tahim, deve abrir investigação para apurar esses e outros casos de compra de votos no Estado.

A gravidade da situação estaria entre as motivações para a desistência de Giovanni Sampaio à corrida eleitoral. Ele desistiu da candidatura a deputado estadual, declarando que as lideranças que se vendem para apoiar os chamados paraquedistas, não pensam no futuro da região. Segundo denúncia do deputado Dr. Santana, em exercício no mandato deputado estadual, os candidatos estão “pagando lideranças e utilizando-se da pobreza extrema de algumas pessoas para tirarem proveito eleitoral”.

Os dois líderes caririenses lembram que a região já teve cinco deputados estaduais e três federais. A avaliação é que, além de diminuírem as chances dos candidatos locais, o voto nos paraquedistas pode fortalecer o avanço da corrupção e uma rede de proteção ao crime organizado no Estado.

Fonte: Jornal do Cariri

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