Pai de Pedro Neto, morto em discussão no trânsito, chora no IML ao ser homenageado


Mário Fernandes fez um proncunciamento emocionado ao lado da Coordenadora do Banco de Olhos do Ceará, Lisiane Paiva (Foto: Demontier Tenório/Agência Miséria)


O comerciante Mário Fernandes Bezerra Júnior, de 61 anos, fez um discurso emocionado na tarde desta quarta-feira no auditório da Perícia Forense (Pefoce) de Juazeiro do Norte. Foi durante a solenidade em homenagem e como forma de gratidão aos familiares de vítimas de mortes violentas que autorizaram a doação de córneas. Em alguns casos até outros órgãos ante o diagnóstico de morte cerebral com captação ainda no hospital.

Foi o que ocorreu com o Supervisor de Vendas da TIM, Pedro Ribeiro da Costa Neto, de 32 anos, que residia na Avenida Leandro Bezerra (Socorro) em Juazeiro e morreu no Hospital Regional do Cariri onze dias após ser agredido pelo bancário Raimundo Maciel Lopes Neto em virtude de uma discussão no trânsito. O crime aconteceu na rotatória do Triângulo Crajubar quando a vítima parou no semáforo e terminou espancado.


Momento da fala do espírita Marcelo Cruz perante um auditório lotado (Foto: Demontier Tenório/Agência Miséria)

“Sei que o paciente que recebeu o coração do meu filho mora em Messejana. Gostaria muito de conhecer e encostar no peito dele ouvir e sentir o coração de Pedro Neto pulsando”, revelou aos prantos Mário que até arrancou lágrimas de muitos na platéia. Ele disse ainda que os rins do filho salvaram duas vidas e o paciente que recebeu o fígado tinhas mais uns 15 dias de vida pela frente. “Existe ainda quem já enxerga pelas córneas de Pedro que manifestou, em vida, desejo de ser doador”.  

Ele falou em nome das famílias, mas a irmã do técnico em radiologia, Cícero Raimundo Leite – doador de córneas – também se pronunciou. Joana D´arc Gomes Leite defendeu ampla propagação sobre a importância das doações de órgãos. A solenidade foi aberta com três palestras, sendo do pastor Daniel Santos; do Padre Marcos e do espírita Marcelo Cruz com todos ressaltando o gesto nobre dos doadores de órgãos.


Familiares de doadores que foram vítimas de mortes violentas (Foto: Demontier Tenório/Agência Miséria)

Esse gesto foi definido pela promotora de justiça, Alexsandra Magda Ribeiro Monteiro como de despreendimento e “um ato de amor” que prolonga a vida de outros. O manifesto de gratidão coube a enfermeira Lisiane Paiva, coordenadora do Banco de Olhos do Ceará, observando que, hoje, o Ceará não possui mais filas de pacientes em busca de córneas e o estado já manda para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. “Se surgir algum no Ceará, o transplante já é imediato”, reforçou.

Já a supervisora administrativa da Perícia Forense do Cariri, Germana Brito, lembrou ter sido a primeira Pefoce do Ceará a abraçar a causa e “a resposta solidária tem sido grande”. Para ela, trata-se de um equipamento público aonde ninguém quer chegar e se o faz é vivendo momentos de dores e dificuldades na vida. “A orientação passada é no sentido de tentar amenizar essa dor, pois, com amor, tudo pode”, acrescentou. Para Germana, a doação de córnea traz luz a quem está na fila à espera de um doador, cuja família “enxerga o sofrimento do próximo com os olhos do coração”.




Por Demontier Tenório
Miséria.com.br

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