20 pessoas LGBTIs+ foram assassinadas no Ceará, em 2018


Em 2017, o número de assassinatos contra essa população chegou a 30. Grupos pedem por Justiça (Foto:Reprodução)

Em tempos nos quais algumas pessoas teimam em dizer que o preconceito não mata, os números de assassinatos relacionados com a homofobia mostram o oposto. No Brasil, estatísticas dão conta que Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros (LGBTI+) são alvos recorrentes da insegurança nas ruas. No Ceará, o cenário se repete.

Conforme dados do Centro de Referência LGBT Janaína Dutra, ligado à Secretaria de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Prefeitura Municipal de Fortaleza (SDHDS), em 2018, 20 pessoas do público LGBTI+ foram mortas no Estado.

Em 2017, o número de assassinatos contra essa população chegou a 30. Os atendimentos feitos no equipamento Janaína Dutra revelam que a violência física, simbólica e psicológica é uma questão central, correspondendo à motivação de 27% das vítimas, que procuram o centro.

O documento disponibilizado pela Coordenadoria da Diversidade Sexual da Pasta traça ainda perfil dos que sofreram ataques. A rua e o próprio ambiente familiar aparecem como os principais espaços de experimentação da violência por esta parte da população. Vulnerabilidade e situações de preconceito costumam fazer parte do cotidiano. No ano passado, familiares, vizinhos ou companheiros representaram 48% dos autores das violações de direitos.

Emblemáticos

Alguns dos casos mais emblemáticos de travestis assassinadas no Ceará foram os de Dandara Santos e Hérika Izidório. Nesta semana, o sexto acusado de matar Dandara foi condenado por homicídio triplamente qualificado. Representantes de movimentos LGBTI+ compareceram ao Fórum para ver o júri.

Já antes do julgamento ser iniciado, a coordenadora executiva da Coordenação Especial da Diversidade Sexual, da Secretaria de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Prefeitura Municipal de Fortaleza, Dediane Souza, enfatizou que o assassinato de Dandara foi um crime de ódio. "As características do crime e o vídeo mostram a intolerância sobre o corpo, por ser uma travesti, presente no assassinato. A identidade de gênero foi determinante na crueldade".

Dediane lembrou que a vítima é um símbolo da resistência. "O que pedimos é que os outros casos de travestis e transexuais (mortas) também cheguem a julgamento e sejam punidos. Não podemos permitir é a naturalização do ódio em nossos corpos".

Dois meses após Dandara, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) registrou a morte de Hérika Izidório. Em abril de 2017, a travesti foi espancada e arremessada de cima de uma passarela da Avenida José Bastos, em Fortaleza. Ela foi socorrida e passou quase uma mês internada no Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiu aos ferimentos, causados por um grupo de homens.

Passado um ano e meio do crime, nenhum suspeito foi preso. Policiais civis alegaram que a dificuldade em elucidar o caso acontece porque não houve testemunhas, nem imagens registradas por câmeras de monitoramento na via.

Saudade

Um dia após o julgamento de Dandara, a mãe de Hérika falou sobre a saudade que sente da filha e a vontade de também ver justiça sendo feita. "Filho de pobre não tem vez. Quero saber cadê a Justiça. Passaram para nós que só tem um suspeito, mas não podem prender porque não tem nada que comprove que foi ele", disse Antônia Castro.

As vítimas que desejarem ir ao Centro de Referência LGBT Janaína Dutra não precisam ser encaminhadas por outra instituição. Segundo a Pasta, há equipe de profissionais multidisciplinares no local.

Fonte: Diário do Nordeste

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