Número de crimes sexuais no Ceará aumenta em 2018


Comparados iguais períodos de 2017 e deste ano, houve aumento de 5% no número de casos de violência sexual (Foto: Reprodução)


Dentro de casa, em coletivos urbanos, nas escolas e entre grades de um presídio. Nos últimos meses, a violência sexual ganhou visibilidade em diversas áreas do Ceará. Em um ano, as ocorrências registradas pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) aumentaram e os casos tomaram maior proporção, diante da violência estarrecedora que estava envolvida.

Em menos de dois anos, a Pasta contabilizou, pelo menos, 3.300 crimes deste tipo. Foram 1.800 ao longo do ano de 2017, sendo 1.498 só de janeiro a outubro do ano passado. Em igual período de 2018, 1.569 pessoas prestaram queixa alegando terem sido vítimas de violência sexual.

Devido a diversos fatores, o número de casos de violência sexual permanece subnotificado no Estado. Um dos obstáculos é o preconceito sofrido pelas vítimas. Quem sofre o crime, muitas vezes, se culpa. Nos recentes episódios de crimes sexuais notabilizados no Estado, as situações se mostraram surpreendentes.

Abusos

Na última semana, um professor, de 26 anos, da escolinha de futebol do Centro Tênis Clube, foi preso. O homem é suspeito de estuprar crianças de até 10 anos de idade, alunos da escolinha. Os atos foram descobertos pela mãe de uma das crianças vítimas.

A mulher percebeu o filho abatido e, durante conversa, o menino contou com detalhes como foi violentado pelo professor. As ocorrências costumavam acontecer quando os alunos iam para uma área afastada do campo, em busca da bola. Outras quatro crianças foram ouvidas e disseram ter passado pela situação.

No depoimento, o homem alegou que não fazia por maldade e, sim, por curiosidade. Ele foi preso, desligado do trabalho e segue à disposição da Justiça para responder pelos estupros de vulnerável.

Penitenciária

Há pouco mais de um mês, no fim de semana do Dia das Crianças, uma menina de 11 anos foi vítima de abuso sexual dentro de uma unidade no Complexo Penitenciário de Itaitinga. A criança visitava o pai encarcerado, quando foi abordada por um outro preso, que já respondia por violência sexual.

Semanas após o crime, a menina permanece recebendo atendimento psicológico. Conforme a mãe, a rotina de toda a família mudou devido ao ocorrido. Vizinhos e familiares chegaram a tentar colocar a culpa nos pais, por não terem evitado a violência.

"É muita crítica. O pessoal fala que fui culpada por isso. Ficam me perguntando como aconteceu. Perguntam se eu vendi minha filha para o preso. Eu nunca me culpei. Sei que nem eu e nem ela temos culpa pelo que aconteceu. Só quero que isso passe", destacou a mãe.

Fonte: Diário do Nordeste

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