Suspeito de matar merendeira ficou 35 horas com corpo dela no banheiro e deixou faca cravada no peito


Homem confessou ficar com corpo da merendeira durante 35 horas na casa dele, diz polícia em MS (Foto:Reprodução)


O animador de festas e pedreiro Jesus Ajala da Silva, de 46 anos, confessou o assassinato da merendeira Silvana Tertuliana Pereira, de 42 anos, ao ser confrontado pelas provas apresentadas pela Polícia Civil. Em depoimento, ele disse que "ficou um tempo sem saber o que fazer com o corpo" e, por isso, a deixou no banheiro dele, por 35 horas, com uma faca cravada no peito.

"Ele se apresentou na delegacia, com um advogado, dizendo que falaria somente em juízo. No entanto, diante as provas e até o sangue da vítima encontrado na pia dele, decidiu falar. A primeira coisa que disse era que, quando a vítima disse que não queria mais, ele iria tentar convencê-la a continuar e, se não aceitasse, ele a mataria", afirmou ao G1 a delegada Jennifer Estevam de Araújo, responsável pelas investigações.

O homem então pediu para ambos conversarem, marcando um encontro na casa dele, há uma semana, no bairro Celina Jallad, em Campo Grande. "Eles conversaram e ele a beijou, levando a vítima para o banheiro. Ali ele perguntou se eles continuariam o relacionamento, quando a vítima teria dito que não. Jesus premeditou o crime. Ele havia deixado uma faca em cima da cama. Ele saiu, pegou o objeto e deu o primeiro golpe na região torácica, acertando o coração", explicou a delegada.

Em seguida, ainda conforme o depoimento do homem, deu mais três golpes e arrastou o corpo até conseguir fechar a porta. "Ele disse que se lavou na pia , se vestiu e foi para a casa de uma irmã, no Jardim Los Angeles. O homem ficou no local como se nada tivesse acontecido e retornou para casa, no início da madrugada, quando passou o último ônibus. Já em casa, ele viu que o corpo estava enrijecido e então pegou pertences dela, como o celular e uma bicicleta, se desfazendo da prova do crime", comentou Araújo.

Ao retornar para casa, o homem disse que "continuou pensando no que faria com o corpo", de acordo com a polícia. "Ele comentou que ficou tentando lembrar qual pessoa poderia pedir uma carriola, até se lembrar de uma conhecida. Para esta pessoa, ele disse que faria uma mudança e então pegou o objeto emprestado. O corpo da vítima foi enrolado em um lençol e ele deixou em um terreno no Portal Caiobá, por volta da 1h de sexta-feira (11)", ressaltou a delegada.

De acordo com a polícia, o próximo passo do homem foi retornar para casa e limpar todo o imóvel. "Ele disse que não lavou com vassoura e água, pois, chamaria a atenção dos vizinhos que também moram em Kitnets. O homem contou que usou uma bucha de cozinha mesmo, limpando tudo durante a madrugada. Ao clarear do dia, ele disse que pegou no sono e dormiu", afirmou Jennifer.

Nas próximas horas, quem apareceu na porta do suspeito foi o proprietário do imóvel. "Ele ficou ali por um tempo, para cobrar o aluguel e viu por uma fresta da janela que Jesus estava ali, mas, o chamava e ele não acordava. Com certeza, estava exausto, por passar todo este tempo se desfazendo das provas do crime", argumentou a delegada.

O criminoso então saiu do imóvel, levando apenas roupas e alguns pertences. "Ele foi para a casa da irmã novamente, após 3 dias do crime. Na segunda-feira, no entanto, saiu uma reportagem na televisão e o cunhado dele viu, dizendo ao homem: aqui você não fica, vai embora e pode se entregar para a polícia. Pouco tempo depois, ele se entregou e foi até a delegacia", falou a delegada.

Ele possui antecedentes nos anos de 2003, quando agrediu com uma facada outra mulher em Aquidauana, a 131 km da capital sul-mato-grossense. Três anos depois, ele também ameaçou uma namorada de morte, quando esta decidiu terminar o relacionamento, ainda conforme a polícia. Além disso, tem passagens por roubo, furto e estelionato.

Jesus foi indiciado por feminicídio e ocultação de cadáver. A pena máxima pode chegar a 33 anos de reclusão.

Entenda o caso

Jesus se entregou à polícia no fim da tarde dessa terça-feira (15). O corpo da merendeira, que estava no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), foi liberado no mesmo dia e será velado em Dourados, na região sul do estado.

Vizinhos disseram aos investigadores que, dois dias antes do crime, o casal tinha discutido e que a merendeira ia com frequência na casa do namorado. A perícia esteve na casa e encontrou sangue de Silvana.

Fonte: G1

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