Casal morre após militares da Venezuela abrirem fogo perto da fronteira


Venezuelanos observam fechamento de estradas pela Guarda Nacional (Foto: Reprodução)


Uma organização não governamental (ONG) de direitos humanos afirmou que ao menos duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas durante um confronto entre indígenas e militares venezuelanos nesta sexta-feira (22/2) em uma região perto da fronteira com o Brasil.

De acordo a  ONG Kapé Kapé, o grupo tentava manter aberta uma estrada que liga os dois países, no estado de Bólivar. "Uma mulher indígena e seu marido morreram, e ao menos outros 15 membros da comunidade indígena do município Gran Sabana ficaram feridos após a investida de um comboio da Guarda Nacional", informou a entidade. O incidente foi confirmado por Emilio Gonzalez, prefeito de Gran Sabana, onde aconteceu o incidente.

Segundo testemunhas, o ataque aconteceu pela manhã, quando uma escolta militar se aproximou de uma comunidade indígena de Kumarakapai. Os soldados abriram fogo com balas de borracha e gás lacrimogêneo, quando os voluntários tentaram impedir que os veículos fechassem a passagem. Quatro dos feridos estariam em estado grave. A mulher que foi morta foi identificada como Zorayda Rodriguez, 42 anos.

Trata-se da primeira fatalidade envolvendo uma operação internacional que tenta levar ajuda humanitária ao país, desafiando o governo de Nicolás Maduro. Nesta sexta-feira, um avião com ajuda humanitária destinada a venezuelanos chegou a Roraima.

Juan Guaidó se pronuncia

Segundo afirmou em publicação no Twitter o opositor Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país e conta com apoio dos Esta dos Unidos, Brasil e dezenas de outros países, os feridos serão transferidos para um hospital no Brasil porque na Venezuela não há remédios para tratamento médico.

"Eu pergunto às Forças Armadas, é constitucional que abram fogo contra indígenas desarmados?", indagou Jorge Perez, um vereador que diz ter estado presente quando os soldados abriram fogo. "É constitucional matar indígenas?"

Ao menos 30 vizinhos da região foram às ruas após a ação, sequestrando três soldados, segundo Carmen Elena Silva, de 48 anos, e George Bello, porta-voz da comunidade indígena.

"A maior parte das pessoas apoia a entrada da ajuda humanitária e nós queremos a nossa fronteira aberta", disse Carmen. "Isso é ajuda, não é guerra. Todos os dias morrem mais crianças".

Um porta-voz do Ministério das Comunicações da Venezuela afirmou que não poderia comentar sobre o caso.

Os ativistas pertencem à aldeia Pemones, que se juntou à oposição para buscar a ajuda doada pelos Estados Unidos e por outros países fronteiriços.

Fonte: Agência Estado

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.